RECURSO ORDINÁRIO. DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. INTOLERÂNCIA RELIGIOSA. QUIMBANDA. LIBERDADE DE CRENÇA. CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE. ART. 12 DA CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. SAÚDE E SEGURANÇA DOS CONSUMIDORES. PODER DIRETIVO DO EMPREGADOR. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO. A liberdade de consciência e de religião constitui direito fundamental assegurado pelo art. 5º, VI, da Constituição Federal e pelo art. 12 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, cuja observância se impõe mediante controle de convencionalidade. A proteção, contudo, não possui caráter absoluto, admitindo o próprio tratado limitações necessárias à tutela da segurança, da ordem, da saúde ou da moral públicas e dos direitos e liberdades das demais pessoas. A manifestação de crença é assegurada tanto ao empregado quanto ao empregador, não configurando, isoladamente, intolerância religiosa a contraposição, pelo proprietário da empresa, de imagem e mensagem representativas de sua própria fé. Hipótese em que o reclamante, praticante da Quimbanda, publicou em rede social pessoal fotografia de ritual religioso que provocou reclamações de alunos da academia, estabelecimento de pequeno porte, não se evidenciando que a religião professada tenha constituído motivo determinante da ruptura contratual. A proteção da liberdade religiosa deve ser harmonizada, no caso concreto, com o legítimo exercício do poder diretivo e com os deveres do fornecedor de resguardar a saúde e a segurança dos consumidores, nos termos do art. 8º do Código de Defesa do Consumidor. Ausente prova de tratamento discriminatório fundado na crença religiosa, não se caracteriza ato ilícito apto a ensejar indenização por dano moral. Recurso a que se nega provimento.
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